Mochilão pela América do Sul – Como tudo começou

A idéia para o mochilão pela America do Sul começou em 2006, fazia um ano e pouco que havia partido de Taubaté para ir morar em São Paulo, trabalhava na farmaceutica Novartis como desenvolvedor de sistemas ainda com aquela cabeçinha de menino do interior que foi pra capital. Até que conheci um doido que também era desenvolvedor lá.

O nome dele é Thiago Serra, um cara de Elias Fausto(onde?!), que também estava em SP para trabalhar. Ele era mais velho que eu, ja havia viajado um bocado e tinha umas histórias malucas sobre suas viagens, como pegar um voo para a Espanha levando uma bicicleta e fazer o caminho de Santiago de Compostela, subir o Pico de não sei onde, os carros antigos de Cuba (ainda vou pra lá!), e por ai vai.

Até que ele começou a fazer um curso de mecânica de motos (?!) e comentar sobre um “projeto”, ele contava que seu pai havia feito uma viagem de moto (se nao em engano, uma CG) de São Paulo até Aracaju no Sergipe, e que ele, como filho, deveria ir mais longe (tenho dó do filho dele..rs), e então criou o Projeto Nazca.

A idéia do Projeto Nazca era conhecer novas culturas, outros lugares e se conhecer melhor, afinal seriam 30 dias de viagem ele e a moto. O trajeto era sair de Elias Fausto(SP), cruzar os Andes, o deserto do Atacama e o Salar de Uyuni, chegando a Nazca e passando por Machu Picchu, depois voltaria pelo Paraguai.

Logotipo do Projeto Nazca

Logotipo do Projeto Nazca

Correu atras de patrocinio e não conseguiu praticamente nada, mas mesmo assim ele foi. De ultima hora apareceu mais um amigo dele que decidiu ir junto (meu sonho era ir junto, mas no momento nao dava), então ele criou um blog (que acompanhei cada post) para postar durante a viagem, e voltou depois de 30 dias.

Passávamos horas no trampo (ops) com o pessoal olhando as fotos e videos da viagem (inclusive tenho todas em minha maquina ainda) , ele contando o que passaram, tombos, frio, uma mulher q estava vindo do Ushuaia e iria até o Alasca com uma moto e seu cachorro, e por ai vai. Eu ficava fascinado com tudo isso, e coloquei em minha cabeça que faria isso também.

Foto Projeto Nazca Motos Cachorro

Olha o cachorrinho olhando para as montanhas...

Um tempo depois, como nao tinha uma moto, planejei fazer a Rota 66 ,onde eu alugaria uma moto e iria de Chicago até a California, falei com agencia de aluguel, tracei a rota, conversei com pessoas que fizeram, enfim, planejei tudinho, tinha a grana, mas aconteceu um imprevisto, tive que gastar a grana e acabou nao acontecendo(ainda me sinto frustrado por isso).

Passaram-se alguns anos, e no começo de 2011 um amigo volta de um mochilão, o Nesta, ele ficou 45 dias rodando a America do Sul, passou também pelo Salar de Uyuni, Machu Picchu, foi pra Argentina, Uruguai, etc. Lá ele conheceu a Juliana, que hoje é uma grande amiga, que fez uma viagem parecida também, e novamente todos contando as historias e dizendo que isso mudou muito a maneira deles pensarem.

As histórias deles fizeram voltar todo aquele sentimento de ficou parado por uns anos, e não tive escolha, mesmo sem a moto, comecei a planejar a viagem.

Um passo de cada vez, mas um salto quando é preciso.

Resolvi colocar a mão novamente neste note e voltar a escrever algo. Então vamos lá.
Sempre tive um espírito “aventureiro”, queria viajar, conhecer outros lugares, outras culturas, mas durante muitos anos fiquei aprisionado em minha vida, talvez por me dedicar a outras coisas não menos importantes como namoro, família, trabalho, etc.

Muitas coisas aconteceram na minha vida nestes últimos 2 anos (e muita coisa ainda vai acontecer). Acontece que eu decidi, vamos dizer, largar (quase) tudo e dedicar a mim mesmo. Isso resultou em viagens para Europa, mochilão para América do Sul, vários lugares no Brasil, entre outras coisas.

Durante estas viagens conheci muitas pessoas e fiz muitas amizades, pessoas que sem querer mudaram (e muito) a minha maneira de pensar e ver o mundo. Dentre elas, está o Alex, um françes que conheci no Salar de Uyuni (Bolivia), que decidiu dar uma volta ao mundo, isso mesmo, ele pegou barraca, mochila e uma câmera e viajou durante um ano (veja seu blog “Le tour du monde d’Alex“), o Jimmy Valencia, um DJ espanhol que viveu 10 anos em Londres e decidiu fazer um tour pela América Latina, tocando e aprendendo novos sons, o antropólogo Sebastian e o economista Pablo, dois colombianos que viajaram boa parte do mochilão comigo, a Juliana e o Nesta, dois amigassos, que também adoram colocar uma mochila nas costas, e por ai vai. Vou para por aqui, senão escrevo um livro só sobre as pessoas sensacionais que conheço.

Todas as pessoas que citei acima, e muitas outras, não menos importantes, que não deu para citar, me fizeram perceber que uma foto, uma sensação, ou até mesmo um sorriso ‘dourado’ de uma chola boliviana (rs) me faz mais feliz que um bom salário, um emprego, uma casa, etc.

Hoje, depois de quase 11 anos trabalhando com Web e desenvolvimento muitas vezes penso que segui o caminho errado, ou não, se não tivesse seguido este caminho talvez não chegaria neste ponto de poder pensar em seguir outra direção.

Enfim, este post foi, vamos dizer, um desabafo e uma seta indicando uma nova direção. Começarei a escrever mais sobre minhas viagens, o que vi, como fiz e o que aprendi, para quem sabe, ajudar outras pessoas que queiram seguir este meu caminho…

DiegoAlex - Puerto Quijaro - Bolivia

“… Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.
(“Mar sem fim”- Amyr Klink)